Onde limite é a virgula e não o ponto.


O menino e sua fada

09/08/2013 22:09

 

Ah! Estar igual sem ser...

É a máxima sensação de não pertencer

É solidão de quem tira a fantasia no baile de máscaras...

A dor se encontra em parecer ludibriado,

Quando se está sóbrio...

Representar sem a capa,

É estar nu...  Investido pela multidão

 

Pago com lágrimas...

A não conformidade de minhas moléculas

Meus pólos invertidos

Meu excesso... Que é falta;

Minha falta...  Que é transbordá-lo...

 

Sou resquício dos tempos modernos,

Sou sub produto de um ensino médio,

Urgido e criado em apartamento,

Nascido para ser uma profissão

E alimentar o sistema com minha sombra...

 

É muito triste... Sim...

Tenho amigos bem perto o tempo todo

Tão distantes quanto a Lua...

Fria, cinza e empoeirada...

 

Um menino de metal...

É isto...

Sou um Pinóquio de cobre

A mentir para todos,

Para mim mesmo...

Quem sabe um dia, eu poderei ser de verdade?

 

É que a retroalimentação já não sustenta...

Já não abastece mais...

O ”ciborg” que desejavam está pifando

As diversas mídias já não me bastam

A ciência material já não é suficiente

Estou doente...

O consumo de farinha, açúcar, fumo e álcool,

Já me entorpeceu demais...

Estou sofrendo, preciso de outro alimento...

Nunca como...

Como nunca!

 

Este movimento frenético que faz dormir-me o espírito,

Não me deixa dormir...

Imagens, sons, letras, ícones...

Produtos de uma cultura projetada para consumir-se

Propagando a si mesma,

Propaganda enganosa...

 

E os Replicantes se multiplicando,

Marchando juntos a saciar a máquina

Para as lanchonetes amortecerem-se entre pães

Para os sofás assistirem-se na tele vida,

Para os médicos e oficinas de reparo,

Para o conforto dos lares,                          

Condomínios fechados...

Para o ciclo vicioso da ilusão aleatória...

 

Pára!

 

Não sou desta forma,

Não estou assando nesta forma,

Meu bolo cresce diferente...

                                                           

A mim basta!

Ser pobre!

Não quero mais ser um menino de cobre...

Desejando ser um menino de ouro...

Estes são egoístas

Centrados no ego

Individualistas...

Consumindo....

Consumindo a si mesmos

A natureza em sua volta, do que é natural em si,

Sumindo...

 

Sou analógico em um mundo digital

Gosto de cheirar a capa do livro,

Gosto de brincar com as crianças,

Gosto de tomar banho de cachoeira,

Lavar a alma...

Cavalgar, embrenhar-me no mato!

Respirar o ar das flores,

Auscultar a natureza...

Inspirar-me com Fernando...

Chorando junto sua solidão...

 

Ajuda-me Fada Azul...

Estou sofrendo!

Eu quero ser um menino de verdade

Minha vontade vem das entranhas

Vem do estômago que ronca!

Do fígado e da bile!

EU QUERO SER DE VERDADE!

Centrado no eu,

Na Individualidade...

Assumindo...

Assumindo a mim mesmo...

 

Chorei... A Fada... Cedeu...

 

Pranto que concedeu a vontade...

Ah! Fada Azul...

Na estrela cadente de uma lágrima

 

Sou eu! Pinóquio!

Eu sou Pinóquio!

Eu nasci Pinóquio!

EU ViVO SOU! Animado por mim mesmo!

Deixando de estar em frio metal!

Passo a ser a orgânica madeira!

Em busca do “eu” na seiva...

 

Texto: Maurício Gervazoni

Photo: Google images (A.I. - Inteligência Artificial)

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