Onde limite é a virgula e não o ponto.


Cavaleiro Cruzado (Entre a cruz e a espada)

12/08/2013 07:03

 

Cavaleiro Cruzado,

Tu atenderás esta minha prece?

Ouça o lamento desta mãe,

E largue estas vestes...

 

Decifra; toda justa é luta,

Mas nem toda luta é...

E tens que reparar,

Que esta guerra é santa,

Mas justiça não há...

 

Tu ceifaste a vida de um irmão,

Nisso não há perdão,

Nem honra...           

 

Teu aço!

Olha-o e ele olhá-lo-á...

Tu és puro reflexo da armadura,

E tua carcaça já-lo-ás em vil metal...

 

Digo a ti!

Quando ajoelhaste ao pontífice,

O corpo foi suprimido...

E a alma vendida...

Agora estás entre a cruz e a espada

 

O vigário ordenando-te templário,

Profanou o teu Templo...

Fez de ti uma montaria...

 

Que pensas?

Não estás a participar...

E tu não és este manto axadrezado...

És somente mais um corcel no tabuleiro

Abaixo da Torre e do Bispo,

Da Rainha e do Rei.

 

A mim...

Não interessam teus títulos,

Teus votos,

Tua pobre nobreza,

Nem tua falsa castidade,

 

Tenho somente a lembrança...

Uma chaga que purga...

A putrefazer tudo que um dia amei...

 

Foi no Santo Graal de tua ordem

Que tu encharcaste a espada com honra

E deitando o licor na tua taça divina,

Assassinaste meu rebento

 

Ah! Herança maldita

Daquilo que me embebedaste

Daquele que foi o ácido vinho...

 

Ah! Pobre coração foi o do meu filho...

Nunca mais a bater...

Abatido, sem voz...

Foi este o meu batismo de sangue,

Um cálice angustiado!

 

E por isso,

Ganhaste uma cruz de malta,

E hoje não passas de um cão maltes...

Ao serviço do Grão-Mestre,

Este, a semente que germina o mal em ti...

 

Não espero por arrependimento,

Nem desejo tua morte,

Seria desperdício da tormenta...

 

E se existe vento...

Só peço, Só imploro,

Só exijo o resto do seu tempo,

Do Templo que te resta...

 

 

Desmonta então esse alazão,

Enamore-te e beije a namorada,

Desfaça-te da faca afiada,

Tira a armadura e enterra,

Ara a terra com o cavalo,

Planta trigo e faze pão...

 

Casa com a mulher,

Tem um filho,

Ensina-o a ler compaixão,

E batiza-o com o nome de “Esperança”!

Esse, em memória da cria que me tiraste...

 

Foto: Google images

Texto: Maurício Gervazoni

 

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