Onde limite é a virgula e não o ponto.


Amor Danilo e Claudia (Parte 1)

20/08/2014 19:58

(Em homenagem ao casamento de Danilo e Claudia)

Amor (Parte 1),

 

Japonês -> Ai shite imasu

Alemão -> Ich liebe Dich

Esperanto -> Mi amas vin

Inglês -> I love you

Espanhol -> Te amo

Francês -> Je t’aime

Italiano -> Ti Amo

Latim -> Tibi amo

Português (Portugal) -> Amo-te

Português (Brasil) -> Eu te amo

 

Seja em que cultura for, independente da língua, em qualquer religião ou lugar do mundo é assim que nos comunicamos quando amamos alguém.  Dizendo: Eu te amo. Mas como explicar exatamente o que sentimos quando amamos? Se existe entre o sentimento e a palavra a distância entre o sol e o mar?

Mesmo com os diversos significados que podemos atribuir ao vocábulo Amor, expressar a emoção de amar em uma palavra é uma injustiça com o sentimento. É exibir uma gota d´água como se esta fosse todo o oceano. Tantas são as particularidades, os conteúdos e significados que podem co-existir.

 

Com a palavra o AMOR.                                            

 

Fui convidado pelo casal para falar a respeito dele. Fico honrado. Mas também apreensivo. Tantas foram as pessoas talentosas que já o fizeram. Alguns com aguçada sensibilidade, outros nem tanto. Religiosos, filósofos, compositores, grandes e pequenos escritores, todos os poetas...  

Desde que surgiu o homem. Amamos.

Desde o nascimento da palavra. Escrevemos sobre o que amamos.

Em estórias, romances, poemas,  cartas, depoimentos. Relatos que muitos de nós registraram no decorrer dos tempos sobre o imponderável sentimento. A tentativa do homem em fotografar o divino em letras. Em todas estas memórias transcritas, reside uma rica história amorosa. Mesmo assim, com tudo que já foi dito. Desafio uma pessoa sequer à encontrar uma definição convincente sobre ele. Uma palavra, frase ou texto que consiga expressar com fidelidade o amor que sentimos. Que dê sentido ao amor.

Como definir o que não é concreto? O que é subjetivo, indefinido no infinito...

Afeição, amizade, carinho, simpatia, ternura, adoração, veneração, culto, entusiasmo, paixão, zelo, carinho, desejar o bem de outrem...

Todas estas palavras de alguma forma compreendem ao amor. Nos levam a crer nele. Sozinhas, nada significam. São gotas . Lágrimas de alegria e tristeza que fazem parte de um vasto oceano amoroso. Oceano este, que evapora e se condensa em nuvens. Por muitas vezes em nossa vida amamos. E quando acontece, sentimos esta chuva. Que pinga em nós toda a felicidade e angústia do mar de amar.

Então todas essas emoções molham a gente ao mesmo tempo.

E é sempre bom tomar um belo banho de chuva para lavar a alma...

Este oceano pode permear a gente de outra forma.

Para um observador apaixonado que se encontra em um mirante a beira mar, estas gotas de emoções vêm e vão. Como o nascer e pôr do Sol.

 

Namorando com as ondas...

 

Ondas que vão surgindo no horizonte...

Ondas de afeição, de carinho, de zelo...  

Ondas que rebentam no coração. Como as ondas rebentam nas pedras. Atravessando marés de amares no ser.

Maré  que desabafa suas ondas e desabotoa o coração.

Mesmo que este seja de pedra...

A água bate, o músculo pulsa, a casca desbasta, a vontade amolece...  

Talvez este observador não saiba definir o significado das ondas de amizade, ternura, paixão. Mas sente o mar... Amar...

Não sabe, mas ao contemplar o horizonte. Sua alma mergulha no oceano, no próprio Amor...

 

Mas quem sou eu para falar sobre ele?  

As pessoas são únicas...

É de todo jeito que toda gente ama...

De tantas formas...

 

Formas de amar:

 

Tem gente aí, que sai gritando à todos na praça, no alto de uma montanha, em cima da mesa, no meio da rua:

Eu te amo!

Não sei... Parece escandaloso... Mas as vezes o amor assim o é. Chamativo e espalhafatoso. Aí, temos mais é que subir na mesa mesmo. Gritar para todo o mundo ouvir! Gritar para gente mesmo escutar o quanto é grande este amor em nós. O quanto ele é imenso. E tanto e como e pleno de imensidão ele é...  Um oceano.

Talvez existam melhores escolhas para expressá-lo. Para compreendê-lo. Conheço quem goste de declamar poesias ao pé do ouvido,  Vinícius e Camões foram mestres:

 

"De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure"

 

Seria então ele como os poetas disseram um dia, um contentamento descontente, um fogo que arde sem se ver?

 

Lindos versos. Versos que conversam com o amor. Com o que a gente sente. Mesmo assim, acredito que são somente raios de luz. Longe de expressar a lucidez de um Sol. E embora estes feixes de luz nos iluminem e aqueçam. Aninhem o sentimento amoroso mais perto de nós. Aproximem o mar e o sol com a alvorada. Ainda não são suficientes para esclarecer-nos o que é o Amor.

 

Será que existe uma forma melhor para iluminá-lo?  

 

Tem gente que é bem afinada com o sentimento. E gosta de cantar sobre ele. Muitas vezes a música porta a voz e as letras de quem ama. Muitos cantores e compositores são chamados de estrelas. A comparação não poderia ser mais fiel. Pois que é na escuridão da incompreensão onde elas brilham. No céu noturno cintilam até  mesmo as que já se foram. Posto que sua luz intensa ainda deseja comunicar seu brilho. Se fosse este o meu caso, escolheria esta canção para clarear o oceano:

 

"Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?"

 

Ah... Pronto! Agora estou ainda mais confuso...  Como algo pode ter  "razão sem ter" e mesmo assim estar cheio de razão?  Que racionalidade é esta que faz emocionar?

Lembrei de um alemão bigodudo. Ele disse um dia:

 

"Há sempre alguma loucura no amor. Mas há sempre um pouco de razão na loucura."

 

Quem um dia iria dizer...  

Renato, um trovador brasileiro e Nietzsche, um filósofo alemão,  falando a mesma língua?

Quem disse que o Oceano, as estrelas e o Sol não se pronunciam sobre o mesmo?

 

Se eles se propagam ondas...

Se todos emanam o mesmo manifesto divino...

Se todos anunciam a chegada do Amor...

 

Será que seria o saber do amor somente questão de percepção?

 

Nossa! Melhor enveredar por outros caminhos... Desafinar mais baixo...  Se não o casal vai se arrepender de ter me chamado.

Tem gente discreta que o sente muito. Tem gente acanhada, que simplesmente não gosta de aparecer. Mas ama. Acredito que as mais belas paisagens do mundo, estão escondidas. Recolhidas. Remotas. Distantes. Em ermos paraísos. Seja no Brasil ou na Austrália.

Lindas pessoas são assim também. Não desejam aparecer. Não pretendem que sua natureza possa ser maculada por visitantes descuidados. Estas pessoas quando amam, protegem o que tem. Não gritam, não declamam, não cantam. Não fazem caridade e anunciam no jornal. Não se comparam a ninguém nem a nada. Não querem ser melhores nem piores. Não julgam o outro. Estão atentos a si mesmas. A seus rios, cascatas e também abismos. Sua beleza é natural.

E naturalmente;

Riem-se, Choram-se.

Sozinhos...

Alegram-se e Sofrem-se. 

Estes anjos só sussurram para aqueles que os merecem.

É um prêmio para os corajosos que atravessaram um longo caminho reconhecer linda paisagem.

Só para estes, baixinho sussurram: eu te amo...

É... talvez...  Seja melhor comunicar nosso amor calado. Na ausência das palavras. Alias é muito comum dizermos:

Não existem palavras que expressem meu amor por você...

Tem gente muda.

Tem gente que não muda.

Tem gente que muda a gente.

Amamos não por aquilo que foi dito. Mas pelo interdito...

Nas entrelinhas das ações...

No dia a dia é onde o amor se esconde...

Por vezes...

No silêncio de um abraço.

Na luz resplandecente de um olhar.

No calor úmido de um beijo.

Ou deitando uma lágrima muda em um rosto vermelho.

Quando o amor age, sequer lembramos que o amor existe. 

Nos diálogos sem frases. Escondidos estão grandes segredos. O sucesso ou fracasso dos relacionamentos.

Está cada vez mais difícil pronunciar-se a respeito do Amor. Se é no silêncio que dele falamos melhor. Com propriedade. Com todas as letras.

É assim mesmo... A boca cala quando o coração sente...

 

Continua (Parte 2 )

 

Maurício de Carvalho Gervazoni

 

 

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