Onde limite é a virgula e não o ponto.


Amigos

05/12/2014 14:02

 

Amigos

 

no shopping

a vitrine da loja está cheia de amigos

estou cheio deles

esquálidos manequins

vestidos da moda

uniformes em exército sem rosto

face a face

á arte do disfarce

 

no escritório as baias estão cheias de amigos

estou cheio deles

destas vozes sem vocês

enclausuradas nos PCS

digitando letras sem poesia

em teclados sem música

mentindo em telefones sem fio

cem chamadas, sem fim

- o ar condicionado ao meio -

esse vento viciado

viciando vidas

sem entrada, nem saída

respirando baias quadrúpedes

 

no boteco

a mesa está cheia de amigos

estou cheio deles

das conversas aquecidas

logo esquecidas

das liquidas risadas

afagando bocas sufocadas

pelas rimas pobres derramadas

afogando olhos torpes

marejados em água-ardente.

e lágrimas caem aos goles,

inflamando roucas vozes.

as flamejantes palavras,

queimam na garganta.

o refluxo das letras,

proclamam exílio de si.

 

minha casa

está cheia de amigos

estou cheio deles

estou cheio dela

resta o shopping.

 

Texto: Maurício de Carvalho Gervazoni
Imagem: Google Images
Mais de Mim: http://www.sem-fronteiras.net/news/sr-miojo/
 
 

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