Onde limite é a virgula e não o ponto.


Seteno

23/09/2013 19:50

<< Seteno>>

1
Segunda rompendo em Mercúrio,
Quando no crepúsculo posso me observar
Na densidade da letra calcada
Confesso meu triste esforço em viver
Despido de qualquer vaidade
Isolo-me no canto da lira
Que revela dor em versos insignificantes...
O mensageiro da razão tragando-me
Sou arqueu de ferro arqueado...

2
Terça apareceu-me Marte,
Retrato da pele pincelada em carmim
Colérico nas lavas circulantes, venosas
Os vulcões nas têmporas, prestes a explodir-me
Prefácio de erupção das entranhas
Grito que vem da boca do estômago
Rompendo pelos Ares
Meus rebentos de fogo gerados em útero ígneo,
Deixam rastros de morte em meu caminho

3
Quarta o corpo lascivo em Vênus,
Estranha para maioria, indiferente há muitos
Sou a mais bela para os quem tem olhos
E quando acentuo o brilho vespertino
Esplandeço ainda mais no firmamento
Em nuvens que comunhão sutil movimento...
Na desconhecida rotação invertida
Encontra-se o meu segredo em eflúvios
Aromas despertam o desejo dos crédulos e céticos
Excitando-me a anatomia divinal

4
Quinta feira que acordo a Sol
Minha quinta escalada em dó
Hoje sou madre dos olhos, detentora da visão
Toda reflexão nascendo em mim
Sou o astro que esclarece os demais
E todo aquele que enxergo
É imagem projetada por mim
A sombra casual é ausência
Minha presença consciência
Tão presente quanto a mãe ao dar a luz

5
Sexta que sou de Lua,
Vez em sempre lapidada por meteoros
Trai meu coração, me deixando as crateras em pó
Minha gravidade nessa situação cinza
Atrai-me a dor dos cometas,
Dos solitários e dos lobos
Lamento meu destino
Escondendo o lado negro do mundo
Estou melancólica como a beleza é...

6
Sábado em Saturno
Dia que invisto em meu melhor vestido
Escondendo a insanidade coberta em anéis
Preparando o espírito às orgias saturnais
Onde soturnos pensamentos me orbitam...
Engarrafo tais devaneios na festa
Evaporando-me em volátil atmosfera
Deglutindo-me os filhos e as lembranças
Afogo lágrimas em busca de paz
Violando a castidade do meu templo...
Os anéis escondem meus dedos
E prejudicam o movimento de minhas mãos
Sem verso...

7
Em Júpiter sou Domingo
Meus raios lampejos de brilhantismo
Sonhos cânticos em trovoadas
Trovadora pretensiosa do universo em mim
Prestes a contar o segredo dos planetas
Das estrelas errantes,
Das consoantes ornando as vogais
São sete sons primordiais
São sete as cores do arco-íris
Sete são os selos planetários
Indiferentes são ao meu sofrimento
Consonantes estão nesta música que me toca

 

Texto: Maurício Gervazoni

Imagem: http://meumestreinterior.blogspot.com/2011/03/os-ciclos-dos-sete-anos.html

 

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