Onde limite é a virgula e não o ponto.


Pardal - Autora: Tuty Mekhitarian

13/06/2013 16:50

Chamava-se Pedro. Tinha oito anos.
Decidiu que a vida dentro de casa era muito chata.
Combinou com os amigos.
Mamãe não me deixa sair. Vou mandar meu coração preso em um balão. Recebam minha encomenda.
Pegou seu coraçãozinho, amarrou num balão de gás vermelho, foi até o quintal e soltou.
Viu, feliz, seu tesouro voando pelos céus e indo para quem ele tinha mandado.
Estava livre. Livre para ir por todos os caminhos que ele queria ir. Estava solto num espaço tão quente e acolhedor que seus sonhos pareciam pequenos.
Ao perder o pontinho vermelho de vista, voltou correndo para dentro de casa. E não sentia mais nada.
A mãe tinha feito bolo e ele nem sentiu vontade de passar os dedinhos na cobertura como sempre fazia.
O irmão chamou: Vamos brincar na casa do vizinho. E ele não sentiu seu coração bater forte em busca de traquinagem.
Perdeu-se. Voou, realmente, para tão longe que não tinha mais como voltar.
Os dias eram longos e sozinhos.
Quebrou uma coisinha dentro dele. Quebrou em volta dele.
Mandou um bilhete no bico de um pardal:
Amigos, preciso urgente do meu coração. Mandem de volta.
Recebeu a encomenda três dias depois.
Estava um pouco sujo e amassado.
E talvez por isso, ou talvez só por conta do tempo que se passou, a vida nunca mais foi a mesma.
 
Autor(a): Tuty Mekhitarian Blog: Temporadaberta
Visite: http://www.tutymk.blogspot.com.br/
 
Obrigada Amiga por compartilhar seu lindo texto.

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